eu sou uma barata
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tentativa de diário

Quinta-feira, Agosto 27, 2009



For years I thought the Golberg Variations were something Mr. and Mrs. Goldberg tried on their wedding night.


posted by MARCO DUTRA 23:29
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Terça-feira, Agosto 18, 2009



"What do you think is supposed to happen in the woods?"


posted by MARCO DUTRA 14:02
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Domingo, Agosto 16, 2009

“Um cadáver há sempre de voltar pela parte roubada” – é o que afirma, depois de mais de duas taças de vinho do Porto, a dona Romilda. Seu marido costuma trazer garrafas aos montes das visitas a Portugal, e com a frequência destas visitas subitamente aumentada pela trágica cirrose de um primo querido residente em Lisboa, a despensa encontra-se repleta; dona Romilda, incapaz de controlar-se desde que as duas filhas colaram grau e desceram para Santos, convida sempre que pode uma ou duas de suas vizinhas para compartilhar álcool dos mais nobres e, nas noites de agosto, um canto do tapete felpudo que perigosamente cerca a lareira da sala maior. De humor aberto e lubrificado pela bebida, a rechonchuda senhora tem o costume começar pelas fofocas. Mas o assunto não dura, já que nem ela nem as vizinhas sentem prazer particular em repercutir a segunda gravidez da filha do taxista ou o abandono de outra senhora, a dona Lurdes, já muito idosa e ignorada pelos três filhos. “Há algo de torpe em mencioná-las aqui, ao redor da sua lareira. Dizer o nome delas me faz pensar em coisas tristes, eu não sou uma pessoa má” – diz uma das vizinhas e dá cabo da primeira taça. “Nenhuma de nós” – completa a dona Romilda, abastecendo a vizinha. “Hoje está tão frio” – ela continua. “Está tão frio que considero a possibilidade de buscar no quarto de hóspedes um cobertor que herdei da minha avó, um azul, tão grande que facilmente cobre nossas seis pernas e ajuda o fogo a cumprir sua tarefa”. As vizinhas riem. Elas, que não são pessoas más, sentem-se felizes porque estão juntas e porque dona Romilda foi muito generosa ao abrir uma de suas melhores garrafas. Elas abandonam as fofocas rapidamente, sabendo que há sempre algo mais intenso depois que se esgota o assunto ligeiro. Falam um pouco sobre seus casamentos, e também este é um tema que rende menos, em parte porque nenhuma delas considera justo falar abertamente do sexo dos esposos sem que eles possam defender-se de eventuais reclamações ou gabar-se dos muitos elogios, sinceros ou não. Depois de uma nova rodada de taças cheias, o tapete manchado aqui e ali por gotas perdidas de vinho e o ancestral cobertor azul sobre as seis pernas, dona Romilda sente que a sala muda de cor. O fogo começa a baixar, o ruído dos carros na rua desaparece. Quanto aos objetos, é como se um conspirasse com o outro em sussurros e o primeiro medo que toma dona Romilda é o de que haja um homem à espreita atrás da porta da sala. Por um segundo, ela pensa em sua avó, que dizia ver vultos atrás das vidraças, nos quartos escuros, na área de serviço. Ela percebe que as vizinhas sentem a mesma transformação, a mudez súbita da sala. “Um cadáver há sempre de voltar pela parte roubada. Eu lembrei agora um caso que minha tia repetia, sempre esperando que surtisse em nós algum efeito moral. Funcionava de alguma maneira, o medo. Depois de enterrar sua mãe, aconteceu que a tal tia encontrou flores muito bonitas num túmulo gasto de outra alameda. Queria saber o nome das flores para que pudesse decorar com elas a lápide da mãe. Levou um ramo pequeno para casa. Colocou num copo de vidro com água. No meio da noite, sentiu que a tocavam. Custou a achar o interruptor do abajur. Primeiro foram os pés, ela dizia, e depois o pescoço. Jura que sentiu um dedo grosso entrar pelo nariz. Um cheiro muito forte tomou o quarto de um jeito. Quando atirou o corpo fora da cama e achou o diabo do botão do abajur viu que o quarto era o mesmo, familiar. Mas ainda tinha o cheiro ruim.” As vizinhas não se movem quase nada. Não sabem ainda se história acabou. “Me deu um calafrio. E se alguém levasse pra casa um osso, um dedo, uma joia?” – diz uma delas com a voz um tanto diferente daquela de cinco minutos atrás. Quieta, a outra vira mais um gole. Dona Romilda encara as garrafas vazias acumuladas. “Nós já bebemos uma pequena fortuna.” Uma pausa alongada, e mais dois segundos antes que as três percebam que a noite acabou. “Bom, vamos descer?” Uma das vizinhas levanta com cuidado. Tem mais equilíbrio do que imaginava. Ao apoiar a mão no chão para ficar sobre os pés, a outra geme. Dona Romilda vê, entre os pelos do tapete, uma abelha morta. “O ferrão” – ela grita. “Nós temos que tirar o ferrão de dentro do seu dedo.”


posted by MARCO DUTRA 01:00
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Sexta-feira, Agosto 14, 2009

Amanhã um novo post.


posted by MARCO DUTRA 01:38
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